Sobre os protestos do dia 15 de março

Todas as pessoas tem direito ao protesto, mesmo que não defendam coisas com a qual concordamos. Isso é algo garantido tanto pela nossa constituição quanto presente no programa do Partido Pirata.

As recentes denúncias de corrupção na Petrobrás tem um caráter quase obsceno: desvios que podem facilmente ter ultrapassado os 800 milhões de reais destinados como parte de doações oficiais de campanhas mostram que grande parte da estrutura política está comprometida a agradar e servir o interesse de círculo restrito de pessoas.

É extremamente preocupante, no entanto, que toda essa revolta esteja se concentrando exclusivamente no executivo, quando ela também deveria se voltar contra o congresso, o qual certamente se beneficiou em grande parte desses desvios e a qual, de acordo com a constituição, é responsável tanto por supervisionar os gastos do executivo, quanto por mudar as atuais regras do jogo.

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A resposta que toda a esfera “progressista” vem gerando nas redes sociais por outro lado, que é reforçar um discurso de luta de classes é algo que interessa diretamente ao governo e apenas alimenta uma polarização desesperada que não gera soluções, mas produz novos problemas.

Se não quisermos replicar o mesmo tom conservador dado pelos protestos desse último domingo, devemos reconhecer que nosso problema não é moral, mas estrutural. Precisamos pressionar o congresso para que façam as reformas no sistema, como a Reforma Política. E não para aprovar mudanças que interessam àqueles que já estão no poder, mas que alterem a atual lógica do sistema eleitoral.

Pois o que define um jogo não são seus jogadores, mas suas regras.


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