A Des/Re-Integração de Posse do Parque Augusta

Dentro do Parque Augusta, várias árvores centenárias remanescentes da vegetação Mata Atlântica, como Palmeiras, uma Figueira e um Jacarandá são testemunhas há varias décadas não apenas da expansão urbana que gradualmente tranformou os antigos sobrados da região nas enormes torres imobiliárias existentes hoje, mas também a consequente disputa entre interesses privados e a ocupação pública atualmente crescente na cidade de São Paulo.

Essas pacíficas testemunhas acompanharam hoje mais um capítulo dessa disputa quando a tropa de Choque chegou na manhã dessa terça-feira, dia 4 de março, para cumprir a reintegração de posse e fechar o local, encerrando uma ocupação que começou no dia 17 de janeiro e que foi marcada do começo ao fim pelo seu caráter pacífico, com a realização de eventos culturais, oficinas e durante a qual foram plantadas mais de 200 árvores e realizadas limpezas no local. Tudo feito de uma forma colaborativa e autonôma.

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A re-integração de posse teve grande efetivo policial deslocado, com as ruas do entorno bloqueadas, fazendo as pessoas darem voltas de duas quadras ou mais para atravessar, mas foi realizada de forma pacífica, criando um certo contraste com outras reintegrações mais violentas que ocorreram em regiões mais afastadas da cidade, como recentemente ocorreu na região de Osasco.

Ainda assim, foi um evento marcado por cenas tristes, como moradores chorando, mães, idosos. Um casal bem velhinho, ambos grisalhos, ela de bengala, se aproximou e disseram aos policiais, divididos entre fiscais de faixa zebrada e porteiros dos moradores, que queriam entrar e participar da manifestação. Foi negado. Decidiram dar a volta, no passinho lento da idade, mas com energia, mas não sem antes deixar uma breve aula aos seus bedéis sobre a livre manifestação.

Os ativistas que já estavam dentro do local, “armados” apenas com faixas e palavras de ordem não tiveram outra opção senão desocupar o local. Resolveram sair em passeata, mas não sem serem devidamente acompanhados pela tropa de choque, marchando em protesto até a prefeitura.

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A ocupação do Parque Augusta foi assim encerrada prematuramente após pouco mais de 45 dias, fechando um dos poucos espaços verdes abertos de São Paulo e restando a sensação de que a população não tem voz ativa ou poder pra decidir sobre os espaços da cidade, se tornando meros espectadores entre uma especulação imobiliária voraz e um poder público leniente.

Fica também no ar a estranha contradição do cumprimento de uma reintegração de posse, sendo que os ativistas não queriam a posse do local, mas apenas agiam a favor do uso público, livre e aberto do espaço.

A decisão sobre o futuro do local pousa agora sobre os ombros do prefeito Fernando Haddad, que pode decidir ou não pela desapropriação do local para uso público. A verba a ser destinada para isso já foi apontada pelo Ministério Público, ironicamente resultado de uma indenização judicial de bancos estrangeiros condenados pela movimentação de desvios praticados durante o mandato de Paulo Maluf na Prefeitura.

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Embora o montante financeiro necessário seja alto, cerca de 128 milhões de reais, a desapropriação parece ser a decisão mais acertada por resolver em definitivo uma antiga disputa histórica, além de um consenso que já existe há varias décadas, que é o uso público do local, algo que já foi objeto de uma lei aprovada pela prefeitura no final do ano passado.

Mas embora a ocupação tenha se encerrado, a campanha de defesa do Parque ainda continua! Acompanhe os eventos e assine o abaixo assinado a favor do Parque Municipal Augusta.

Evento: https://www.facebook.com/events/337665266425342/

Abaixo-assinado: http://paneladepressao.nossascidades.org/campaigns/611


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