1º Pronunciamento do Núcleo de Pernambuco do Partido Pirata do Brasil, e piratas de SP, PA e RJ

9 de Fevereiro de 2013,

Texto de quase um ano, mas muito atual em nosso movimento! Ahoy!

Chegamos! Nossa presença é um sinal de que algo está errado, de que algo não vai bem!

Somos pessoas comuns, com vidas comuns. Somos seus amigos, seus vizinhos, seus sobrinhos, seus filhos.

Somos os camelôs das mídias, dos relógios, dos “made in China” e também seus milhões de clientes.
Somos o cara da xérox da faculdade. Somos você baixando músicas, vídeos e e-books.
Somos os primeiros fãs e divulgadores dos artistas e escritores sem patrocínio.
Somos os libertadores daqueles que encontraram num contrato a alienação e o sequestro de suas criações.
Somos os blogueiros que incomodam a hegemonia do poder midiático convencional.
Somos os inúmeros colaboradores de software livre espalhados pelo mundo que ameaçam a hegemonia das multinacionais do código proprietário.
Viemos para libertar a cultura e a informação dos calabouços do copyright.
Estamos em toda a parte, não temos um líder, um “cabeça”.
Somos coletivos de coletivos espalhados pelo país e pelo mundo.
A rede é nosso mar e nosso conhecimento é nosso tesouro,
que não está enterrado numa ilha e sim compartilhado, replicando-se, renovando-se e multiplicando-se a cada segundo.

Somos a visão de um um mundo livre.

Nós, os Piratas!

Defendemos a pesquisa colaborativa que avança exponencialmente em detrimento à pesquisa competitiva que entrava o desenvolvimento tecnológico e tira a esperança e a vida de seres humanos, em nome do lucro fácil e imoral a favor dos detentores das patentes.

Defendemos o copyleft, a cópia livre de dados e informações. Para nós o interesse público está acima do interesse privado, que se firma no copyright e na escassez produzida artificialmente para maximizar ganhos ao preço da manutenção do desenvolvimento humano.

Acreditamos que a colaboração constrói melhor e mais rapidamente do que a competição e que há um novo modelo econômico por vir.

Somos os anunciadores da sociedade pós-capitalista, da inclusão, do compartilhamento e do colaborativismo.

Somos incansáveis defensores do direito de cada ser humano à privacidade, à informação, à cultura e à liberdade. Nossa luta é contra toda forma de ignorância, de exploração e de preconceito. Contra o sexismo e o machismo, que durante toda a história, se abatem sobre toda a humanidade, a fomentar a desigualdade entre gêneros e pessoas.

Não somos um partido de quadros, nem de massas, somos coletivos de coletivos, somos indivíduos, como abelhas em enxames, somos multidões que se auto-organizam, não temos líderes, a horizontalidade é a nossa ordem… somos iguais que respeitam as diferenças e acreditamos que o bem de um concorre para o bem de todos. Por isso negamos a existência de pseudolíderes que se auto proclamam ungidos para a condução dos processos políticos, porque, para nós, Piratas, o Estado é e deve continuar sendo laico, pois o poder emana do povo e pelo povo deve ser exercido e por isso, dentre nós, não há espaço para o culto à personalidade e sim para a união entre personalidades diversas. Somos anônimos. Somos anonimous!

Não podemos mais aceitar o modelo educacional no qual estamos inseridos hoje, que enxerga seres humanos como força de trabalho, como animais em matadouros, engordando para o corte, que não se preocupa com a o desenvolvimento de cidadãos livres e responsáveis, cientes de seus papéis no mundo, todos como protagonistas da História.

Defendemos:
Que a educação efetiva é aquela que promove a paz e que não se impõe pela força, mas pela razão. E isso pressupõe espaços de desenvolvimento de habilidades e de competências que se somam primeiro no ser e depois no coletivo, para uma sociedade verdadeiramente humana e humanista.

Não precisamos ser vigiados, rastreados ou vasculhados pela presunção de que alguém fará algo de errado. Este é o discurso do medo, que nos faz entregar nossos direitos, em nome de nossa segurança. É o discurso da manutenção do sistema econômico vigente, que é escravizante. É inaceitável, não precisamos que nos protejam de nós mesmos, mas estamos prontos a nos proteger daqueles que se propõem a nos dominar.

Somos cientes do que é feito em nosso nome, mais do que isso, devemos, queremos e estamos a participar das decisões que nos afetam no nosso modo de vida. Estamos a observar com a máxima atenção o que é feito pela iniciativa privada que utiliza concessões autorizadas pelo Estado [mídia, petróleo, mineração, transporte, etc] como se fosse proprietária delas.

Estamos atentos às ações dos poderes do Estado, que têm servido para a perpetuação de grupos mafiosos e oligarquias, parasitas do poder e exploradores da capacidade produtiva do povo.

Apoiamos, defendemos e difundimos a diversidade, por entendermos que esta é uma das forças do povo brasileiro, a diversidade cultural, étnica, de pensamentos e comportamentos. Precisamos não somente aceitar, mas também incentivar a diversidade. Seremos mais fortes e mais felizes assim.

Nos inspiramos nas ligas camponesas e nos movimentos eclesiais de base e enxergamos no exemplo de vida de Gregório Bezerra (o homem que foi amigo das crianças, dos pobres e excluídos; amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofridas; odiado e temido pelos capitalistas, sendo considerado o inimigo número um das ditaduras fascistas) uma referência para nossa luta… e , com essas palavras, homenageamos os 100 anos de História do PCB, pelo qual nutrimos profundo respeito. É daí que vem nossa força para construir nas redes sociais (reais e virtuais) nossa militância pela democracia plena, base para a justiça social.


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